Problema dental ou problema esquelético?

Na ortodontia, há dois tipos de alteração. Nas dentárias, os ossos estão bem posicionados e os dentes estão tortos ou mal encaixados — o aparelho resolve. Nas esqueléticas, a maxila ou a mandíbula cresceram demais, de menos ou de forma assimétrica. Aí o aparelho, sozinho, não alcança a causa.

O ortodontista pode tentar compensar, inclinando os dentes para disfarçar a diferença entre os ossos. Em casos leves, funciona. Em casos moderados e graves, o resultado costuma ser limitado, pouco estável ou deixar o perfil igual.

Sinais de que o problema é dos ossos

  • Queixo muito para trás ou muito para frente em relação ao resto do rosto
  • Dentes de baixo à frente dos de cima (mordida invertida)
  • Dentes da frente que não se tocam quando a boca fecha (mordida aberta)
  • Queixo ou sorriso desviado para um lado
  • Dificuldade para fechar os lábios sem esforço
  • Ronco, respiração pela boca ou dificuldade para mastigar e cortar alimentos
  • Já usou aparelho e o perfil continuou o mesmo

Como a cirurgia e o aparelho trabalham juntos

  1. Ortodontia pré-cirúrgica: o aparelho alinha os dentes dentro de cada arcada, preparando-os para encaixar na nova posição dos ossos.
  2. Planejamento: tomografia e planejamento digital dos movimentos, feitos em conjunto pela cirurgiã e pelo ortodontista.
  3. Cirurgia: em hospital, com anestesia geral, reposicionando a maxila, a mandíbula ou as duas.
  4. Ortodontia pós-cirúrgica: o ajuste fino da mordida, por alguns meses.

Em casos selecionados, existe a abordagem em que a cirurgia vem primeiro e a ortodontia depois. A escolha depende de cada caso.

Idade, recuperação e cobertura

A cirurgia é indicada depois que o crescimento facial termina — em geral, no fim da adolescência ou no início da vida adulta. Não há idade máxima para adultos com boa saúde.

O inchaço é maior nos primeiros dias e diminui ao longo das semanas; a volta a atividades leves costuma acontecer em duas a três semanas. Planos de saúde com cobertura hospitalar podem cobrir a internação quando há indicação funcional — vale consultar a operadora.