Por que a mandíbula faz o ouvido doer

A ATM — articulação temporomandibular — fica logo à frente do ouvido. Coloque os dedos na frente das orelhas e abra a boca: o movimento que você sente é ela. Essa articulação e o canal do ouvido estão tão próximos, e dividem tanto da mesma inervação, que o cérebro nem sempre consegue distinguir de onde vem o sinal de dor.

É o que se chama de dor referida: o problema está na articulação ou nos músculos da mastigação, mas a pessoa sente no ouvido. Por isso, quando o exame do ouvido é normal, vale investigar a mandíbula.

Sinais de que a dor pode vir da ATM

  • A dor fica na frente do ouvido, e não dentro dele, ou é difícil de localizar exatamente.
  • Piora ao mastigar, ao falar muito, ao bocejar ou ao comer alimentos duros.
  • Há estalos ou barulho de areia ao abrir e fechar a boca.
  • Sensação de ouvido tampado ou zumbido sem alteração no exame de audição.
  • Dor de cabeça nas têmporas, cansaço no rosto ou mandíbula dolorida ao acordar.
  • Você aperta ou range os dentes, dormindo ou acordado.

Um teste simples em casa: apoie os dedos na frente das orelhas, abra e feche a boca devagar algumas vezes e depois aperte os dentes. Se surgir dor, estalo ou se a sensação for parecida com a dor que você sente no ouvido, conte isso na consulta.

Quando é melhor ir ao otorrino primeiro

Procure primeiro um otorrinolaringologista se houver:

febre, secreção saindo do ouvido, perda de audição repentina, tontura intensa ou dor muito forte depois de gripe ou resfriado. Esses sinais apontam para problemas do próprio ouvido, que precisam de tratamento específico.

Quando o exame do ouvido é normal e a dor persiste, a avaliação da articulação com um cirurgião bucomaxilofacial ou um especialista em DTM é o próximo passo natural.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de DTM começa pela conversa e pelo exame clínico: a abertura da boca, os desvios da mandíbula, os ruídos da articulação e a palpação dos músculos. Muitas vezes isso é suficiente.

Quando é preciso ver o disco da articulação, o exame indicado é a ressonância magnética. Para avaliar o osso, a tomografia. Nem todo paciente precisa dos dois.

Como é o tratamento

A grande maioria dos casos melhora com tratamento conservador, sem cirurgia:

  • Orientações sobre alimentação, hábitos e controle do aperto dos dentes
  • Placa miorrelaxante feita sob medida, para usar principalmente à noite
  • Medicação por períodos curtos, quando indicada
  • Fisioterapia e exercícios para a mandíbula
  • Toxina botulínica nos músculos da mastigação, em casos selecionados

Procedimentos na própria articulação, como a artrocentese (uma lavagem da articulação), ficam reservados para a minoria que não responde ao tratamento conservador.